Entenda as novas políticas de privacidade do WhatsApp e saiba o porquê está causando alarde.

No último dia 5, o WhatsApp do Facebook Inc. atualizou seus termos de privacidade, permitindo que os dados dos usuários pudessem ser compartilhados com outras empresas do grupo Facebook. Com isso, a empresa começou a avisar seus 2 bilhões de usuários a nova atualização.

Uma notificação está sendo exibida no aplicativo citando superficialmente as mudanças nas suas regras. Essa mudança causou protestos entre especialistas em tecnologia, defensores da privacidade, empresários bilionários e organizações governamentais, desencadeando uma onda de perdas de usuários que se dirigiram para os aplicativos de mensagens rivais, o Telegram e o Signal.

Aqui no Brasil, a novidade não agradou ao PROCON-SP e o Ministério da Justiça que notificou o WhatsApp na última quinta (14), dando 72 horas para se pronunciar e explicar como as medidas se enquadram na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e qual a base legal para que haja esse compartilhamento de dados.

Vamos entender a seguir o que diz essa nova política de privacidade e como será a utilização dos dados disponibilizados pelo WhatsApp do Facebook Inc.

O que fala os novos termos de privacidade?

Agora a empresa reserva o direito de  compartilhar os dados que coleta sobre o usuário com a rede mais ampla do Facebook, que inclui o Instagram. Independentemente de você ter contas ou perfis lá. O WhatsApp afirma que o aplicativo recebe e compartilha informações de outras empresas do Facebook e que essas informações podem ser utilizadas por eles para ajudar em toda a operação.

Para explicar melhor as mudanças, o aplicativo de mensagens publicou um guia resumido, destacando pontos que podem levantar dúvidas entre o público.

Essa atualização, que entraria em vigor a partir do dia 8 de fevereiro, teve seu adiamento comunicado pela empresa para o dia 15 de maio.

Em comunicado, o aplicativo afirma: “Para aumentar a transparência, o WhatsApp atualizou suas Políticas de Privacidade para que descrevam que, daqui para a frente, as empresas podem optar pelos serviços seguros de hospedagem do Facebook para ajudar no gerenciamento das comunicações com seus clientes no WhatsApp. Embora, é claro, continue sendo uma decisão do usuário se ele gostaria ou não de se comunicar com uma empresa no WhatsApp”.

O Facebook poderá ler meu WhatsApp agora?

Não, as conversas são criptografadas, ou seja, nem mesmo o próprio WhatsApp pode acessá-las. 

O WhatsApp disse em posicionamento à imprensa que “esta atualização não muda as práticas de compartilhamento de dados entre o WhatsApp e o Facebook, e não impacta como as pessoas se comunicam de forma privada com seus amigos e familiares em qualquer lugar do mundo”.

Contudo, a empresa pode compartilhar com o Facebook seus dados de uso, o identificador do seu telefone, informações sobre o telefone, o número de IP, entre outros tipos de dados. 

Por que o Facebook deseja ter acesso aos dados?

A empresa afirma que precisa desses dados para melhorar a operação e as suas publicidades. Segundo o Facebook, quase todos os US $21,5 bilhões em receita que geraram no terceiro trimestre de 2020 vieram de anúncios.

O objetivo dessa atualização é melhorar a veiculação dos anúncios para seus usuários, direcionando através dos dados obtidos pelo WhatsApp e também permitir que as empresas recebam pagamentos através do aplicativo de mensagens. 

A política é a mesma globalmente?

Não, há uma diferença no texto para a Europa em comparação com o resto do mundo. 

Nos Estados Unidos, o WhatsApp diz explicitamente que quer permitir que os usuários comecem a conectar sua conta do Facebook Pay para pagar por coisas no aplicativo de mensagens. Já na Europa, não afirmam que usaram os dados dos usuários. Isso porque as autoridades europeias de proteção de dados têm o poder de multar as empresas em até 4% da receita anual global se violarem as regras do bloco. 

Quem se beneficia com as mudanças na política de privacidade?

Principalmente os negócios. O WhatsApp afirma que as empresas poderão usar novas ferramentas para se comunicar e vender para clientes na plataforma do Facebook. “Oferecemos às empresas a opção de utilizar os serviços seguros de hospedagem do Facebook para gerenciar as conversas com seus clientes no WhatsApp, responder a perguntas e enviar informações úteis, como recibos de compra”.

Sobre as mensagens trocadas entre um usuário e uma empresa é possível ver o que está dizendo e poderá usar essas informações para sua própria estratégia de Marketing.

Outros beneficiados são os concorrentes do WhatsApp como o Telegram e o Signal que  tiveram um aumento nos downloads após a atualização da política de privacidade do WhatsApp.

Vale a pena migrar para Signal ou Telegram?

Após o anúncio a procura pelos concorrentes subiu drasticamente e seus downloads dobraram. Cada aplicativo tem vantagens e desvantagens e a escolha dependerá dos interesses do usuário em utilizar os serviços das empresas do Facebook e do quão ele está disposto a abrir mão de sua privacidade.

O Signal, que não é tão conhecido no Brasil, é o queridinho dos especialistas em segurança de dados dos Estados Unidos. Criado por um grupo independente de desenvolvedores de software chamado Open Whisper Systems, cujo fundador é o hacker Moxie Marlinspike e sustentado por meio de doações. Esse aplicativo não coleta dados pessoais e seu maior diferencial é a  transparência.

Por outro lado, a grande desvantagem do Signal é que tem um número de usuários muito menor, então provavelmente, não encontrará no aplicativo todos os contatos com os quais quer trocar mensagens.

Já o Telegram, não usa os dados dos usuários para gerar anúncios e armazena apenas informações necessárias para a operação do serviço de troca de mensagens. Por outro lado, sua criptografia não é considerada tão segura, devido ao sistema usado pelo Telegram para realizar backup das mensagens automaticamente para o usuário. Isso permite que, em caso de perda desse conteúdo, o usuário o recupere totalmente, sem perder as trocas mais recentes, como ocorre no WhatsApp.

Após ser comprado pelo Facebook, o WhatsApp fez a primeira atualização global de sua política de privacidade que permitia ao usuário escolher se aceitava ou não compartilhar seus dados com as empresas do grupo Facebook Inc.

Porém a mudança atual não permitirá mais essa escolha e os dados dos usuários serão compartilhados. O objetivo é  intensificar a integração com o WhatsApp para que empresas que vendem serviços e produtos em suas redes sociais possam, cada vez mais, usar suas contas comerciais no aplicativo de mensagens para interagir e fazer negócios com os usuários, inclusive viabilizando pagamentos diretamente pelo WhatsApp. Além de possibilitar a personalização da experiência nas lojas e os anúncios recebidos pela mesma no Facebook e Instagram.

Devido a desinformação e equívocos na cobertura das mudanças do WhatsApp muitas pessoas têm migrado para os aplicativos rivais mas ainda é cedo para determinar se o mensageiro sairá muito abalado desse episódio ou se os usuários manterão suas contas.

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