A treta entre Facebook e Apple: entenda o por que estão em guerra

As duas gigantes do Vale do Silício, estão em uma luta que diz respeito aos dados de milhares de seus usuários.

Com o lançamento do IOS 14, a Apple impôs aos aplicativos o consentimento explícito do usuário para rastrear seus dados com o propósito de compartilhá-los para fins de publicidade direcionada. Tim Cook, CEO da empresa,  afirma que a mudança dará às pessoas mais controle sobre as práticas de coleta de dados que considera invasivas, dando aos usuários a opção de escolher entre “pedir ao aplicativo para não rastrear” ou “permitir”. 

Informações como quais aplicativos estão sendo usados e por quanto tempo, quais sites são visitados, localização, e outros mais que são usados por anunciantes para criar anúncios personalizados e direcionados àquele usuário não deverão ser coletadas sem a permissão do usuário do aplicativo em questão.

Contudo a mudança nas políticas de privacidade da Apple gerou bastante polêmica nos últimos meses, principalmente com o Facebook.

A dona do Instagram e do WhatsApp, argumenta que a Apple está agindo por interesse próprio, tentando tirar de cena aplicativos gratuitos, que, em sua grande maioria, coletam dados e os oferecem aos anunciantes, para mudar para modelos pagos. Para Steve Satterfield, diretor de privacidade e políticas públicas do Facebook, a atitude da Apple é uma tentativa de arruinar o modelo de negócios usado pelo Facebook e outros aplicativos gratuitos com anúncios,  tornando a internet uma experiência paga, que beneficia os resultados financeiros da Apple. Devido a isso, o Facebook está fazendo campanhas para destacar o quanto os proprietários de pequenas empresas dependem de anúncios direcionados. A empresa já lançou um site e publicou anúncios em jornais físicos, como o New York Times, Wall Street Journal e Washington Post. Inclusive, lançou uma campanha  intitulada “Good Ideas Deserve To Be Found” (“Boas Ideias Merecem Ser Encontradas”, em tradução livre) será veiculada em comerciais de TV nos Estados Unidos e critica indiretamente a atualização do IOS 14.

Ainda assim, um estudo recente do grupo Tap Research mostra que 55% das pessoas entrevistadas não permitiriam que o Facebook os rastreasse se fossem solicitados. E alguns analistas prevêem que a atualização da Apple pode resultar em um impacto de 7% nos resultados financeiros do Facebook.

É muito claro que a briga se dá, também, pelo fato de as duas empresas terem formas diferentes de ganhar dinheiro e visões bem distintas da internet.

Para a empresa de Mark Zuckerberg, a maneira de conectar bilhões de pessoas é construindo uma plataforma gratuita sustentada apenas por publicidade.  Sendo, o caso do Facebook, que compila os dados de seus usuários e vende esses dados a terceiros.

Já a Apple, recebe a maior parte do seu dinheiro com venda de computadores e, mesmo tendo seus próprios aplicativos, a empresa afirma que não vende os dados coletados por eles para terceiros. Então, a atualização é para ajudar sua imagem como protetor de privacidade. 

O analista Dan Ives afirma que essa disputa Facebook-Apple está preparando o terreno para uma luta maior sobre como as empresas de tecnologia vão equilibrar a privacidade com a coleta de dados na economia digital.

Essa guerra que se iniciou na metade de 2020 está longe de terminar e com tanto em jogo, o Facebook já está planejando processar a Apple por “práticas anticompetitivas de mercado”. 

A briga que pode ganhar mais um capítulo e com proporções ainda maiores.

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